O espetáculo explicado
Aquele Abraço': o Brasil sobre o qual fala o espetáculo do Roxy
Não são noventa minutos de Carnaval. O espetáculo percorre as cinco regiões do Brasil, e um pouco de contexto faz cada paragem ganhar sentido.
Veja os bilhetes do Roxy Dinner Show na GetYourGuide ↗Um nome de uma canção
Aquele Abraço' — 'esse abraço' — é o título de uma das canções mais queridas do Brasil, a despedida de Gilberto Gil ao Rio, escrita em 1969 quando deixava o país sob o regime militar. Dar esse nome ao espetáculo define o tom: um abraço ao país inteiro, caloroso e com um toque de nostalgia, e não uma revista de casa noturna.
Linhagem olímpica
O espetáculo é dirigido por Abel Gomes, parte da equipa criativa por detrás das cerimónias de abertura e encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio 2016, e carrega essa mesma escala — mais de sessenta artistas em palco, percussão ao vivo e uma encenação construída em torno da cúpula luminosa e dos painéis LED do Roxy. A ambição é um retrato nacional em música e movimento, feito à dimensão de uma cerimónia.
Cinco regiões, cinco mundos sonoros
A geografia oficial do Brasil divide o país em cinco regiões, e o espetáculo segue essa divisão. O norte traz a Amazónia e as suas tradições indígenas e ribeirinhas; o nordeste os tambores, o forró e os ritmos afro-brasileiros da Bahia e não só; o centro-oeste o país do gado e o Pantanal; o sudeste o samba e a bossa nova do Rio e a energia urbana de São Paulo; e o sul as tradições gaúchas partilhadas com a Argentina e o Uruguai.
Porque é mais do que samba
Os visitantes chegam muitas vezes à espera de um espetáculo de Carnaval e encontram algo mais amplo: o maracatu e o frevo de Pernambuco, a música da capoeira, o acordeão do sertão, as festas do boi do norte. O samba e o registo carnavalesco de penas estão lá — o final entrega-os — mas são a última paragem de uma viagem, e é isso que faz o espetáculo parecer o Brasil e não apenas o Rio.
Como assistir
Não precisa de português; o espetáculo conta-se através da música, da dança, do figurino e da encenação, e cada região anuncia-se visualmente. Se quiser aproveitar ainda mais, ouvir um pouco antes — Gilberto Gil, o forró de Luiz Gonzaga, um bloco baiano, o samba carioca — transforma as transições em reconhecimentos. Depois, deixe o final fazer aquilo para que foi criado.